Há 1 dia
Sábado, 2 de Junho de 2012
Junho é seguramente um dos meus meses preferidos. Pelo Verão que se aproxima, por Lisboa que fica mais bonita com as suas cores e mais alegre com a alegria de quem cá vive, pelo cheiro característico que é diferente, pelos mergulhos no mar, pelos caracóis devorados avidamente, por isto e por muito mais. Faltou-me o Junho no ano passado. Não é a mesma coisa quando vivido no frio dos Andes. Continuava bonito, mas não era o "meu" Junho, o Junho que sempre foi ansiado, desde que era pequena. Porque nessa altura ir para a escola não custava, ainda era a escola, mas agora com os vestidos mais bonitos, com as festas e os ensaios e com as férias ao virar da esquina. Das melhores memórias que guardo de criança era ir para o colégio a pé e sozinha, com um vestido amarelo animado com peixes que a minha mãe me trouxe do Porto sobre a pele que já começava a ficar morena. Nesses dias saía de casa com a certeza de que aquele seria um bom dia. E geralmente era. E tenho saudades, porque tudo era mais simples ou eu era mais simples. De qualquer forma, tenho saudades dos dias de ontem que eram também o meu dia. Mas pelo menos ainda me sobra o Junho.
Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Agora que iniciei esta nova vida de housewife/madmen/dondoca - e cujo balanço é: três dias equals aborrecimento -, descubro que a plataforma das escadas de serviço entre o meu andar e o de cima é o perfeito solário para as minhas pernas. Por outro lado, temos Roland Garros e daqui por uns dias muito jogo de bola. O que me vale é ser uma housewife simples. Contudo, vejo à minha frente formar-se a maior dificuldade, a saber, as ementas do almoço. Compreendam que, sou pessoa de nunca almoçar em casa e de sofrer de angústia de cada vez que tenho que pensar no que será o jantar. De maneira que vos proponho um acordo: ideias para que eu e a pequena criatura fiquemos saciados e em troca ficar-vos-emos muito agradecidos. Que vos parece?
Sábado, 26 de Maio de 2012
Agora que os dias quentes se aproximam, ainda que por vezes meio tímidos, o meu desejo em ter um pedaço de exterior aumenta.
(via oneclaireday.com)
O que me faz ir espreitando, meia invejosa, o aproveitamento que os meus vizinhos franceses do rés-do-chão fazem do quintal. Desde a piscina do Mickey para o elemento mais novo, passando pela espreguiçadeira da mãe, terminando no barbecue do pai, que faz orgulhosamente o jantar várias vezes por semana.
(via: style-files.com)
For now, a pequena plataforma das escadas de serviço terá que servir. Pelo menos é um óptimo local para esticar as pernas ao fim da tarde, deixar secar o verniz das unhas dos pés e comer nêsperas das verdadeiras, apanhadas da árvore, juro!
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Francisco
Não nos conhecemos, mas já parece que sim. Não sei se já gosto muito de ti, mas sei que já não dá para voltar atrás para uma vida sem a tua vida aos pulos dentro de mim. Não te imagino as feições, mas silenciosamente gostava que os teus olhos fossem do meu castanho e não do verde mais verde que conheço e que caracteriza o rosto do teu pai. Será que posso falar assim? Não tendo a falar contigo, mas prometo-te que penso em ti muitas vezes. Será que ouves o que eu ouço, que sentes o que eu sinto? Que fazes de propósito para que quase só eu tenha direito a sentir-te mais a esses movimentos constantes que me fazem sorrir interiormente? Tenho tantas perguntas para ti, para nós. Será que vais gostar de mim? Quero olhar para ti, ouvir-te respirar, ver-te viver, passear-te, ensinar-te, aprender contigo. Quero mostrar-te a Bossa Nova, quero levar-te aonde já me levaram. Quero desejar-te todos os dias aquilo que todos os dias me têm desejado. Quero ser apenas um bocadinho da mãe que tive para mim. Basta só um bocadinho, porque acho que já serias feliz. Quero cantar-te músicas baixinho porque na verdade canto muito mal. A pele que há em mim toca em loop e tu dás sinal. Abraço a barriga porque é o mais perto de te abraçar. Escrevo-te porque não sei pôr cá fora de outra maneira. É a única que sei.
Domingo, 13 de Maio de 2012
A música chega-me através dos phones e ele, a pequena criatura, não pára sossegado. Como se percebesse as saudades que eu tenho quando não estás. Porque, pelo menos uma vez por semana, quando me deixas por 24 horas, me lembro que não gosto da vida assim, sem que aqui estejas do meu lado. I don't wanna get over you.
Sábado, 12 de Maio de 2012
Relembrar este concerto parece fazer regressar a uma vida que já não tem sentido, que já não se quer que tenha sentido. A música, sempre a música, sempre presente. As imagens passam rápido pelo pensamento, e são muitas. Penso como será uma vida ainda longa sem aquele que escolhemos para estar connosco durante todo o caminho. Penso em ti e agradeço silenciosamente por hoje ter sentido o teu beijo enquanto te despedias. Fingi estar a dormir porque não queria estragar aquele momento, queria guardar-te sempre.
Um beijinho querida M.
Um beijinho querida M.
Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
28
Se as semanas correspondessem aos meses, hoje a marca seria a dos 7. Aprendi eu, que parece não ser bem assim, pelo que, quando me perguntam, lá vou dizendo que é mais ou menos x meses. 7 parece-me muito mais que 28, o que assim escrito não deixa de ter a sua graça matemática. Falta-me quase tudo, mas até aí nada de surpreendente, apenas a ideia de que há coisas que permanecem pouco mutáveis, tal como a mania de deixar tudo para a última, só que, neste caso em particular, a última não está definida e não serei eu a fazê-lo. Aguardemos. Por outro lado, começa a existir uma vontade d'O conhecer (não ao Senhor, mas a este senhor), e perceber se a irrequietude é traço de carácter ou se serve apenas para que eu não me esqueça dele. Vou aceitando com naturalidade, acho, que não é um estado de graça, mas é um estado necessário para atingir aquele fim, fim esse que, pela primeira vez não sei qual é. Suponho que desde logo as células que se vão formando dentro de mim, e porque estão ligadas a mim, começam a ser independentes e com uma vontade que pode não coincidir com a minha. É algo que me assusta, mas que não deixa de me espantar. Na verdade, não foi a forma perfeita dos pés ou das mãos ou até do chuchar que me apaixonou, foi ver os hemisférios daquele minúsculo cérebro que vai produzir alguém diferente de mim. Aqui te espero, então.
Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Quando estou triste, mas assim mesmo triste, só me apetece ouvir música que me faça companhia nessa tristeza e que não ambicione fazer-me abandonar o estado em que me encontro. Triste porque não posso mudar o que me entristece, o que é uma constatação que me deixa num verdadeiro desamparo. Depois, depois tento lembrar-me do que não é triste, porque na verdade me sinto culpabilizada por esta tristeza quando há tanto que não me entristece. Difícil que é aceitarmos que não podemos mudar certas realidades, certas pessoas, certos momentos, certas distâncias. Difícil aceitarmos que o outro não vai ser aquilo que nós tanto queríamos. Que eu queria, que eu quero mas não posso ou não devo querer, sob o risco de nunca me libertar desta tristeza. A desilusão caminha lado a lado com a mágoa. Aquela mágoa que não estando presente em todos os momentos, nunca nos deixa totalmente, porque a Vida também é isto, apesar de eu ter tanta dificuldade de aceitação. Gosto tanto de ti. Magoas-me tanto. Nunca to disse assim, da forma mais simples de que sou capaz, mas gosto tanto de ti que dói e às vezes apenas anseio que desapareças para logo a seguir não suportar a ideia de um mundo sem ti. Gosto tanto de ti e magoas-me tanto que hoje não me resta senão carregar esta tristeza, esperando que amanhã ela já tenha partido.
Domingo, 29 de Abril de 2012
Sábado, 28 de Abril de 2012
Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
Minha gente, precisava de uma ajudinha. Quem de vós sabe como aumentar o tamanho das fotografias do blog? Quando faço o upload, faço-o no tamanho grande, mas ainda assim ficam bem mais pequenas do que as que vejo por aí. Aguardo por sugestões após este meu humilde pedido que demonstra em muito a minha inaptidão para coisas deste calibre.
Domingo, 15 de Abril de 2012
Em dias destes
em que tenho obrigatoriamente que estar em casa, sim, porque há alguém que começa a demonstrar uma certa personalidade - e não, não sou eu - em que ora chove, ora vem o sol, limito-me a estar rodeada de palavras escritas e imagens dos outros. Pelo meio recordo um brunch no final do Verão passado.
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
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